POR QUE O CÉU TEM UMA RAINHA?

Quando dizemos que Jesus é o Rei do Universo, é natural surgir a pergunta: se Jesus é o Rei, quem é a Rainha? E por que uma Rainha no Céu? Para entender a beleza do Reino de Deus, precisamos olhar para as Escrituras com os olhos da fé. A resposta é simples e profunda: a Rainha do Céu é a Mãe do Rei. 

1. A RAINHA-MÃE NO POVO HEBREU 

Nos reinos do Antigo Testamento, os reis costumavam ter várias esposas, o que gerava disputas e rivalidades. Por isso, nenhuma esposa era a rainha oficial. Quem ocupava o lugar de honra ao lado do rei era a sua Mãe (chamada em hebraico de Gebirah, a "Grande Senhora").A Bíblia nos mostra exatamente como essa dinâmica funcionava quando a Mãe do Rei ia interceder por um súdito diante de seu filho: "Betsabé disse: 'Tenho um pequeno pedido a fazer-te, não me recuses.' O rei respondeu-lhe: 'Pede, minha mãe, pois não te recusarei nada.' [...] Betsabé foi, pois, ter com o rei Salomão para falar-lhe em favor de Adonias. O rei levantou-se para ir-lhe ao encontro, fez-lhe uma profunda reverência e sentou-se no trono. Mandou colocar um trono para a sua mãe, e ela sentou-se à sua direita." — 1 Reis 2, 17-19

Note a profundidade desse gesto: o próprio Rei se levanta, se inclina diante de sua mãe, a coloca à sua direita e se dispõe a ouvir a sua intercessão. Como Jesus é o herdeiro definitivo do trono de Davi, a Sua Mãe, Maria, assume esse mesmo papel no Seu Reino eterno: ela é a Rainha-Mãe que apresenta as nossas preces ao Rei. 

 2. O SINAL NO CÉU: ISAÍAS E O APOCALIPSE

A identidade dessa Rainha é revelada desde o Antigo Testamento em uma promessa contínua. Deus anunciou pela boca do profeta Isaías: "O Senhor mesmo vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe dará o nome de Emanuel [Deus conosco]."— Isaías 7, 14

 Séculos mais tarde, João contempla o cumprimento desse mesmo sinal divino no livro do Apocalipse: "Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. [...] Ela deu à luz um Filho varão, que há de reger todas as nações."— Apocalipse 12, 1.5

 A Virgem da profecia de Isaías e a Mulher Coroada do Apocalipse são a mesma pessoa: Maria. Se o Filho que ela dá à luz é o Rei que governa todas as nações, a Mãe vestida de sol e coroada no céu é a Rainha. 

3. A ALEGRIA DA RAINHA: SOFONIAS E O MAGNIFICAT

 A alegria de Maria não vem do orgulho, mas do fato de carregar o próprio Rei e Salvador em seu ventre. Isso cumpre perfeitamente o cântico do profeta Sofonias sobre a vinda do Rei: "Canta alegremente, ó filha de Sião; jubila, ó Israel; regozija-te e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalém! O Senhor, o Rei de Israel, está no meio de ti; tu não verás mais mal algum."— Sofonias 3, 14-15

 Ao receber a notícia de que o Rei de Israel habitaria no seu ventre, Maria responde a essa profecia de Sofonias com o seu famoso cântico de louvor (o Magnificat):  "Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. Doravante, todas as gerações me proclamarão bem-aventurada!"— Lucas 1, 46-48

 Maria é a verdadeira "Filha de Sião", a serva humilde que se alegra no Deus que realiza nela maravilhas. 

4. O FALSO NÃO ANULA O VERDADEIRO.

 E quanto às passagens bíblicas que condenam a adoração à "rainha do céu" (como em Jeremias 7, 18)? Ali, o profeta estava alertando o povo contra os cultos pagãos a uma falsa deusa antiga. O fato de existir uma falsa rainha pagã não anula a existência da verdadeira Rainha do Céu. Pense assim: o rei pagão Nabucodonosor se auto-intitulava "rei dos reis" (Ezequiel 26, 7), mas isso nunca impediu que Jesus fosse proclamado o verdadeiro "Rei dos reis e Senhor dos senhores" (Apocalipse 19, 16). O erro dos homens e as falsificações do mundo não apagam as verdades de Deus. 

Conclusão:

 Ao lado do trono de Cristo, o Rei do Universo, está Maria, a Rainha-Mãe. Ela não reina para ter poder, mas para servir e interceder por cada um de nós, seus filhos. Quando recorremos a Maria, sabemos que o Rei jamais recusará o pedido de Sua Mãe! Assim, a Rainha-Mãe do reino de Salomão (a Gebirah, assentada à direita do rei para apresentar os pedidos do povo) e a "Mulher grandiosa" vista por São João no Apocalipse (vestida de sol e coroada com doze estrelas) são figuras proféticas que convergem para a mesma realidade celestial. Ambas anunciam a verdadeira Maria Coroada: a Virgem de Nazaré que, por dar à luz o Rei dos reis e acompanhá-Lo até a Cruz, é exaltada nos céus como a Rainha.