No reinado de Davi, a figura do Al-Bayit", o "Mordomo" ou "Zelador" da Casa Real ou Vigário do Rei, era de suma importância. Ele era o guardião das chaves do palácio, responsável por administrar a Casa Real e decidir quem nela entrava até o retorno do soberano. Esta função histórica serve de base para uma profunda tipologia bíblica: o Rei Davi prefigura Cristo; a Casa Real simboliza a Igreja; e o zelador Eliaquim representa Pedro.
A profecia de Isaías anunciava essa autoridade única conferida ao administrador: "Naquele dia, chamarei meu servo Eliaquim, filho de Helcias. Vou vesti-lo com tua túnica, cingí-lo com o teu cinto e lhe transmitirei os teus poderes; ele será um Pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei sobre seus ombros a chave da casa de Davi; se ele abrir, ninguém fechará; se ele fechar, ninguém abrirá." (Isaías 22, 20-22)
Esta profecia encontra seu cumprimento pleno em Cristo, o verdadeiro Rei, que constituiu Pedro como o zelador de Sua Igreja, conferindo-lhe o poder das chaves: "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (S. Mateus 16, 19)
Como "Porteiro" investido de autoridade, Pedro guarda a entrada da Igreja, o caminho visível para o Reino de Deus.
O Salmo 117 recorda-nos a sacralidade deste acesso: "Esta é a porta do Senhor: os justos entrarão por ela." (Salmo 117, 20). No Evangelho de João, a relação entre autoridade e pastoreio torna-se ainda mais nítida: a porta é aberta pelo porteiro para que o Bom Pastor conduza as Suas ovelhas: "Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre..." (S. João 10, 2-3).A Igreja, por meio de Pedro e de seus sucessores, atua como o canal da graça divina, administrando o "Tesouro da Redenção", conforme atesta o Catecismo da Igreja Católica (§1478):
"O amparo se obtém de Deus mediante a Igreja, que, em virtude do poder de ligar e desligar que Cristo Jesus lhe concedeu, intervém em favor do cristão, abrindo-lhe o tesouro dos méritos de Cristo e dos santos para obter do Pai das misericórdias a remissão das penas devidas a seus pecados."