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"O Poder das Chaves: Da Humanidade de Cristo à Autoridade de Pedro" 



1. O Significado das Chaves dos Céus

 As Chaves dos Céus significam a autoridade sobre a salvação e o acesso ao Reino de Deus. Essa prerrogativa é radicada exclusivamente na Humanidade de Cristo, cujo sacrifício redentor nos libertou do pecado e nos restituiu a vida eterna. Adão, o primeiro homem, por seu ato de desobediência cometido em sua humanidade, fechou-nos as portas do Paraíso, deixando-nos cativos nas teias da morte e da imperfeição. No entanto, Jesus, o "Novo Adão", veio reverter essa tragédia. Sendo o primeiro a ressuscitar para nunca mais morrer (1 Coríntios 15, 20), foi por Sua humanidade perfeita e obediente que Ele realizou os atos necessários para a nossa justificação.

Por Sua humanidade redentora, entregue na Cruz, Ele desatou os grilhões impostos pelo pecado de Adão, reabrindo o caminho para a intimidade com o Pai: "Ele nos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que possamos nos apresentar santos, sem mancha e irrepreensíveis diante d'Ele." (Colossenses 1, 22). No ápice desse sacrifício, o véu do Templo rasgou-se de alto a baixo (Mateus 27, 51), sinalizando que o acesso ao Santuário Celeste estava, enfim, restaurado.Jesus é o Novo Adão que aperfeiçoa a linhagem humana. Como explica São Paulo: “O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o último Adão, espírito vivificante... O primeiro homem, tirado da terra, é terreno; o segundo veio do céu.” (1 Coríntios 15, 45.47). 

Onde o primeiro Adão trouxe a morte, o Novo Adão trouxe a vida: “Assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão” (1 Coríntios 15, 22). Portanto, as Chaves representam a vitória total de Cristo (em sua humanidade na qual Ele reconstrói toda humanidade e de onde vieram os Sacramentos da Igreja) sobre o abismo que separava o homem de Deus. 

2. Por que confiar as Chaves a Pedro?

 As Chaves, que simbolizam a autoridade conquistada por Cristo, deveriam ser guardadas e exercidas por Sua Igreja, que é o Seu Corpo Místico na terra. Por isso, é admiravelmente coerente que Jesus as tenha confiado àquele que escolheu como representante e fundamento visível de Sua instituição. No Evangelho de Mateus, encontramos a instituição solene deste encargo: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja... Eu te darei as chaves do Reino dos Céus. Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus.” (Mateus 16, 18-19). Esta entrega é confirmada pela voz unânime dos Padres da Igreja. Tertuliano de Cartago afirmou: "A Igreja está com Pedro, a quem Ele deu o nome Rocha" (Prescrição Contra os Hereges, 22). Da mesma forma, Santo Agostinho proclamou: "Só Pedro mereceu escutar: 'Eu te darei as chaves do Reino do Céu'" (Sermão 295). Cristo é a Cabeça invisível da Igreja (Efésios 5, 23). Contudo, para a continuidade visível de Sua missão, Ele estabeleceu Pedro como o primeiro de uma linhagem de sucessores. Esse encargo assegura a unidade e a fidelidade ao depósito da fé. Santo Irineu de Lyon, ao defender a sucessão apostólica, ressaltou a primazia da Igreja de Roma: 

"É necessário que todas as Igrejas se de acordo com esta Igreja [de Roma], por causa da sua autoridade superior... na qual sempre se conservou a Tradição que vem dos Apóstolos." (Contra as Heresias, Livro 3, Cap. 3)

 Assim, a entrega das Chaves a Pedro é o fundamento da autoridade e da perenidade da Igreja. Ela garante que a salvação conquistada por Jesus chegue a cada geração, administrada com a autoridade de quem recebeu do próprio Deus o poder de abrir e fechar.






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