Se convém que a Igreja seja a Esposa de Cristo, convém igualmente que ambos estejam unidos por um laço eterno, pois as Escrituras proclamam que *"já não serão dois, mas uma só carne"*¹. Por esta razão, a Igreja, enquanto digníssima Esposa, constitui o próprio Corpo de Cristo. Esta união não é meramente simbólica, mas uma realidade escatológica revelada: *"Vem, e eu te mostrarei a noiva, a esposa do Cordeiro"*². Sendo indissolúvel o matrimônio sagrado entre homem e mulher — este que é sinal e sacramento da união eterna —, assim também é, de modo eminente maior e absoluto, o matrimônio místico entre Cristo e a Igreja. Como ensina o Apóstolo, Cristo é a Cabeça da Igreja, seu Corpo, da qual Ele é o Salvador³. O que Deus uniu, não é permitido ao homem separar⁴; da unidade da "só carne" decorre, ontologicamente, a unidade do "só corpo".
Torna-se, portanto, uma impossibilidade lógica e espiritual buscar a amizade com o Esposo enquanto se nutre hostilidade pela Esposa. Aquele que desonra, difama ou persegue a Igreja, a Esposa Mística atenta contra a própria Pessoa de Cristo, o Esposo Místico. O exemplo de São Paulo (na época, o Centurião Saulo), é fulminante: ao devastar a Igreja e arrancar homens e mulheres de seus lares para o cárcere, ele não ouviu do céu a pergunta "Por que persegues meus discípulos?", mas sim: *"Saulo, Saulo, por que ME persegues?"*⁵.Cristo não é uma individualidade isolada; Ele é o Totus Christus (o Cristo, a Humanidade Total).
Como Cabeça de uma Humanidade Universal, Ele Se entregou por Sua Igreja para santificá-la, exortando os maridos a amarem suas esposas como ao próprio corpo⁶. Aos que ainda vacilam em aceitar a Igreja Católica por sua própria face, que ao menos não a odeie por amor a Cristo, pois quem ama o Esposo, fatalmente conhecerá a sua verdadeira Esposa; e, quem a conhecer em sua essência Divina, não poderá deixar de amá-la.
¹ Mt 19, 6. A unidade matrimonial prefigura a unidade indissolúvel da Encarnação e da Igreja. ² Ap 21, 9. ³ Ef 5, 23. ⁴ Mc 10, 9. No matrimônio sacramental, a união uma vez ratificada por Deus na pessoas dos esposos, tornando-se indissolúvel. ⁵ At 8, 3; 9, 4. Aqui se fundamenta a teologia do Corpo Místico: a dor dos membros é sentida pela Cabeça. ⁶ Ef 5, 25-29.