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O Importante é só Alimentar a Alma? 

Alguns ensinam que, para a fé, de nada vale partilhar o pão que sacia a fome do corpo, pois o importante seria apenas o Pão que sacia a alma para a vida eterna. Sob essa lógica errada, não deveríamos nos preocupar com a partilha do alimento ou com as injustiças deste mundo, buscando a felicidade apenas no céu. No entanto, Jesus, que sempre andava junto aos pobres, multiplicou o pão e os peixes para alimentar a multidão faminta que o acompanhava (cf. Mt 15, 32-39). Aquele que divide o seu sustento exerce uma paternidade espiritual sobre o necessitado, justificando a súplica filial: O pão nosso de cada dia dai-nos hoje”. A fé desvinculada das obras reduz-se a um discurso ideológico vazio. Recorde-se que no Calvário, Cristo padeceu a fome e a sede, recebendo vinagre de Seus algozes, enquanto do Seu lado aberto vertia o sinal da água viva a nos purificar e o sangue da redenção para nos salvar (cf. 1 Jo 5, 6). Cristo identificou-se com os sedentos e famintos (cf. Mt 25, 40) ao se permitir padecer na Cruz escolhendo sofrer a escassez de alimento e água. Por seu sacrifício, Ele está presente nos sofrentes.


O Pão Nosso de Cada Mesa:  

Partilhar o pão das nossas mesas nos ensina a superar o egoísmo e a amar verdadeiramente, sem qualquer distinção ou preconceito. Ensina-nos a amar o justo e o injusto; e independente de mérito ou demérito. O Pão da Vida eterna não exclui a fraternidade da partilha para com o pão do estômago. Como ensinou São Francisco de Assis, se negarmos o pão do corpo ao irmão, mais longe ficaremos do Pão do Céu.1 As obras do amor e da misericórdia não se restringem às necessidades da alma, mas incluem o corpo. São Tiago já alertava: “Se um irmão necessitar do sustento e você apenas disser ‘vá em paz, aqueça-se e sacie-se’, sem lhe dar o necessário, que proveito haverá nisso?” (cf. Tg 2, 15-16). Quem nega o pão da terra não se faz digno do Pão do Céu, dado gratuitamente pelo Pai.



1 FRANCISCO DE ASSIS, São. Regra Não Bulada (1221), cap. IX, 3-6. In: Fontes Franciscanas. Petrópolis: Vozes, 2020 (FF 31-33).

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