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A filosofia é a busca da verdade pela luz da razão natural, investigando a realidade e abrindo-se ao progresso histórico e científico. Por recusar dogmatismos estáticos, a própria razão reconhece seus limites e a necessidade de uma ciência transcendente que eleve o ser humano além da ordem natural. Sozinha, a filosofia é incompleta para explicar a ciência sobre Deus: 

«A razão não pode esvaziar o mistério de amor que a Cruz representa, enquanto a Cruz confere à razão a resposta última que esta procurava...» (S. João Paulo II, Fides et Ratio, n. 23).

Embora a inteligência humana alcance a certeza da existência de uma Força Inicial, do Poder Criador através dos vestígios da criação, a dependência exclusiva da filosofia faria com que o conhecimento sobre a identidade pessoal de Deus chegasse a poucos e misturado a muitos erros. A Revelação Divina surge, portanto, como superação e coroamento da filosofia: não é o homem tateando o Absoluto, mas o próprio Deus Vivo que Se apresenta a nós com firme certeza, escapando à métrica das leis naturais. 

«A filosofia educou o mundo grego para Cristo, assim como a Lei educou os hebreus. A filosofia, portanto, é uma preparação...» (S. Clemente de Alexandria, Stromata, I, 5).

Essa Revelação não é apenas um conceito teórico e docente, mas a realiza-se das ações e palavras conexas pela quais Deus se manifestou na história, culminando na totalidade do mistério de Cristo (Encarnação, Cruz e Ressurreição). Dessas três mais importantes manifestações Divinas na hisórtia humana, nasce a Sagrada Doutrina, uma ciência superior que partilha o conhecimento que Deus tem de Si mesmo. Acolhida pela virtude da fé, essa Verdade cura e direciona a humanidade ao seu fim último: amar a Deus por Si e ao próximo por reflexo de Sua imagem, superando a fratura da natureza humana: 

«O homem, debilitado pela ferida do pecado original, não conseguia, com as simples forças da sua razão, atingir o mistério do amor divino.» (S. João Paulo II, Fides et Ratio, n. 36).

Em suma, a Revelação é a comunicação amorosa de Deus que convida o ser humano à comunhão e eleva a razão natural a instrumento de contemplação da Verdade Suprema.



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