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  • Questão: O Batismo sacramental nas águas é apenas um ritual simbólico e vazio? 

Objeção 1: Parece que o Batismo é apenas um rito simbólico, desprovido de manifestação divina e inventado por homens para marcar a entrada em uma comunidade. 

Objeção 2: A salvação é algo interior e espiritual. Logo, banhar externamente o corpo não elevaria nossa condição humana diante de Deus.

Em Contrário: "Aspergirei água pura sobre vocês, e vocês ficarão limpos. Eu os purificarei de todas as suas impurezas" (Ezequiel 36, 25). O próprio Cristo afirma: "Quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus" (Jo 3, 5). 

Solução: Respondo dizendo que os sacramentos não são lembranças de um Deus distante, mas instrumentos de um Deus presente que se fez homem. Do Seu Corpo, Cristo verteu água e sangue no sacrifício da cruz, libertando a humanidade de seu débito de amor. A água não age sozinha, mas unida à Carne sobrenatural e ao Espírito Divino de Cristo. Como ensina Santo Tomás de Aquino, o sacramento deve ser visto em relação à sua causa: o Verbo Encarnado. A água toca o corpo, mas é a Divindade de Cristo que, através dela, eleva a natureza humana. Esse toque gera uma consciência profunda das virtudes que nos tornam imagem do Filho: o amor fraterno, o perdão, a humildade e a mansidão. Deus utiliza os sinais materiais que manaram da Humanidade Santíssima de Cristo como canal para Suas bênçãos. Por isso, Jesus "veio pela água e pelo sangue" (1 Jo 5, 6). Imagine nossa alma como um solo desgastado. O Batismo é o fertilizante que prepara essa terra para dar frutos. É o início de uma vida orgânica com Cristo, seguindo o ciclo da nossa própria natureza: 

  • Nascemos pelo Batismo;
  • Crescemos pela Crisma;
  • Nutrimo-nos pela Eucaristia;
  • Geramos vida pelo Matrimônio;
  • Curamos a desordem pela Confissão;
  • Preparamo-nos para a eternidade pela Unção dos Enfermos.

Desde o despertar da criação, o Espírito de Deus já “pairava” sobre as águas (Gn 1, 1-2). Essa narração é a prefiguração do Batismo: Deus indicava que a água seria, um dia, o ventre espiritual da humanidade: Ao dizer que é preciso “renascer da água e do Espírito”, Jesus confirma que o sagrado habita a matéria: “NO PRINCÍPIO DEUS CRIOU O CÉU E A TERRA (…) E O ESPÍRITO DE DEUS PAIRAVA SOBRE AS ÁGUAS.” (Gênesis 1,1-2); QUEM NÃO RENASCER DA ÁGUA E DO ESPÍRITO não poderá entrar no reino de Deus.” (Jo 3, 5) 

Respostas às Objeções: 
  1. À primeira: A água não limpa a alma por sua força química, mas por ser o instrumento condutor do Espírito. Se no início da criação o Espírito pairava sobre as águas para dar vida ao mundo, no Batismo Ele paira para dar vida nova ao pecador.
  2. À segunda: A salvação não despreza o corpo; ela o abraça como parte essencial do tratamento divino. Um médico aplica o remédio onde dói a ferida. Santo Agostinho nos ensina que ninguém peca "apenas na alma", pois o corpo é o instrumento pelo qual a alma age e deseja. Se o pecado usou o corpo para nos afastar de Deus, é justo que a cura também passe. O Batismo é uma "transfusão de vida": a humanidade santa de Jesus nos cura em toda a nossa fragilidade.



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