A DOUTRINA SAGRADA NASCE DOS FATOS HISTÓRICOS QUE CRISTO PRODUZIU POR SEU PRÓPRIO CORPO?
Os ensinamentos da Igreja não servem apenas para serem estudados; eles servem para serem vividos dia a dia: “Sede praticantes da palavra e não ouvintes tão somente” (Tg 1, 22). Essa prática ganha vida quando olhamos para a vinda de Deus ao mundo em Jesus Cristo, que gerou três grandes acontecimentos na história: Seu Nascimento, Sua Morte na Cruz e Sua Ressurreição. A Crucificação, por exemplo, é um Fato histórico real (cf. Jo 19, 30). Desse acontecimento, nasceu um Sinal visível e milagroso: a água e o sangue que saíram do lado aberto de Jesus (cf. Jo 19, 34). A partir desse sinal, a Igreja traduz a sua Linguagem, ou seja, o ensinamento claro de que o Batismo nas águas é necessário para nossa salvação (cf. Rm 6, 3; Tt 3, 5); e que o Pão e o Vinho são sinais sagrados da Carne e do Sangue de Cristo que está corporalmente onipresente entre nós. Essa ligação inseparável entre o Acontecimento, o Sinal e o Ensinamento não serve apenas para o Batismo, mas sustenta tudo o que a Igreja ensina. O mesmo sacrifício histórico de Jesus na cruz continua vivo diante de nós no Sinal do pão e do vinho sobre o altar. É desse sinal que nasce o ensinamento sobre a hóstia e o vinho consagrados (cf. Mt 26, 26-28).
DEUS ESCOLHEU OS SINAIS QUE ESSES FATOS PRODUZIRAM PARA NOS ENSINAR?
Sim. Tudo o que a Igreja ensina segue essa mesma lógica: um Acontecimento Divino gerando um Sinal que podemos ver e tocar no mundo, e desse sinal a Igreja extrai na Linguagem, as palavras da nossa oração e da nossa fé. Tratar a religião cristã apenas como uma teoria ou ideia bonita e filosófica na mente, separada dos fatos e dos sinais concretos desse fatos históricos que Jesus produziu em sua própria Carne e nos deixou, é esvaziar o plano de Deus para nos salvar. Isso abre as portas para o erro e para opiniões que nos afastam da verdade. Como Deus se fez homem (cf. Jo 1, 14), Jesus não transmitiu Seus ensinamentos apenas com discursos teóricos, mas com fatos e ações sobrenaturais concretas (cf. 1 Ts 1, 5). De Seu Corpo na cruz nasceram os sete sacramentos, as colunas da nossa fé, que nos guiam com segurança. Quem não vê esses sinais deixa de compreender o próprio ensinamento de Jesus, caindo no mesmo erro apontado pelo Livro da Sabedoria: “através dos bens visíveis, não souberam conhecer aquele que é” (Sb 13, 1).
PODE HAVER INTERPRETAÇÃO DA DOUTRINA DISSOCIADA DOS FATOS E DOS SINAIS SAGRADOS?
Não, porque Deus transformou Seus ensinamentos em coisas visíveis porque sozinhos, não conseguiríamos suportar a luz direta de Deus; precisávamos ser guiados por um caminho do fato e do sinal por ele deixado, para que pudéssemos ver e ouvi. Por isso, o Filho de Deus assumiu nossa carne e nosso sangue, para curar e transformar a nossa vida mortal através de Sua própria vida que nunca morre (cf. Hb 2, 14; 1 Cor 15, 54). Agostinho explicava que os sinais visíveis da Igreja são como "palavras que a gente pode ver", e que nos guiam como viajantes neste mundo: por meio das coisas criadas por Deus na Terra, conseguimos enxergar as realidades invisíveis do Céu. Por consequência, toda doutrina que negar esses sinais e não estiver alinhada a eles, estará, inevitavelmente, negando o próprio Fato divino de onde eles provêm, configurando-se como uma falsa doutrina. É o caso, por exemplo, de negar a presença real de Cristo no Pão e no Vinho: ao rejeitarem a eficácia e a verdade desses sinais do Corpo e do Sangue do Senhor, acabam por esvaziar e negar sua Crucificação como um FATO HISTÓRICO de EFEITO ETERNO, do qual a Eucaristia é o memorial perpétuo. Romper o nexo entre o Fato e o Sinal é desprender-se da Verdadeira Doutrina Cristã.