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Fé + Caridade – O Fundamento Prático do Amor Cristão


O QUE NOS DEFINE? 

R: O que nos define não são as palavras que proferimos, mas as ações que apresentamos. A fé não é uma ideia, mas uma força viva que se manifesta por obras concretas.1 Para Deus e para os outros, somos o que fazemos, e nosso caráter se revela naquilo que escolhemos amar e praticar. “O menino manifesta por atos se seu proceder será puro e reto.” (Provérbios 20,11) A fé precisa produzir efeitos visíveis. Uma crença sem caridade, que não se inclina a fraternidade entre os povos e a defesa da dignidade humana é um conceito vazio, oco e estéril, sendo incapaz de nos preparar para a vida eterna: “(…) a fé, se não for acompanhada de obras, é morta em si mesma. (Tg 2, 14-26)", se tornando operante e ganha vida através da justiça social, da compaixão e da benevolência para com o próximo. 

BASTA CRER?

R: Não basta acreditar em Deus. É preciso agir conforme Sua vontade que nos orienta ao Amor prático, realizável, sem preconceito e comunitariamente partilhável.2 A fraternidade é a prova da genuína fé. Encontrar justificativas para não amar; fugir da prática do amor fraterno; desprezar a generosidade humana e ter desgosto profundo em realizar o Bem é um desvio da fé chamado acídia.3 Aquino a descreveu como uma omissão que causa tamanha tristeza que a pessoa perde a vontade de agir em prol do amor:

A acídia é a tristeza acabrunhante que produz no espírito do homem tal depressão que este não tem vontade de fazer mais nada; as coisas que são ácidas, também são frias. Por isso, a acídia implica um certo desgosto pela ação boa.4"

Negar-se deliberadamente a prática do Bem acreditando que somente a fé intelectual seja suficiente insulta a vontade Divina tão gravemente quanto praticar o mal. Tal omissão  contraria a própria natureza humana, criada por Deus para a partilha fraterna:

 "Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." (1 João 4,8)

A inatividade deliberada para o bem nos afasta de Deus, que é puro Amor, e nos torna ingratos pelo Bem que Ele nos concedeu: 

“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.” (Tiago 4,17)

Encontramos felicidade e prazer ao realizar coisas boas e ao praticar o Bem ao próximo. Mas para isso é preciso agir.


1 “Quem é justo, FAÇA justiça ainda; e quem é santo, SANTIFIQUE-SE ainda.” (Apocalipse 22, 11) 

2 “O coração perverso ficará acabrunhado de tristeza, e o pecador ajuntará pecado sobre pecado. (Eclesiástico 3, 29)” “[…] pois a tristeza apressa a morte, tira o vigor, e o desgosto do coração faz inclinar a cabeça. (Eclesiástico 38, 19) “Não tenhas PREGUIÇA DE VISITAR UM DOENTE, pois é assim que te firmarás na CARIDADE. (Eclesiástico 7, 39)”

3  “Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos, Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão, e não me visitastes. Também estes lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te socorremos? E ele responderá: Em verdade eu vos declaro: Todas as vezes que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, FOI A MIM QUE O DEIXASTES DE FAZER.” (São Mateus 25,41-45)” 

4  Aquino, Suma Teológica. Art. 4. O Prazer e a Medida do Bem e do mal. P. 482. Edição 2004.


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