1. O Bem e o Ser são realidades separadas?
R: Não. Na realidade, o Bem e o ser não se separam, mas se convertem. O ser não é um mero hospedeiro do Bem; tudo o que existe, pelo simples fato de ter sido criado por Deus que é Bom, possui a bondade intrínseca como parte da criação de um Deus Bom. A bondade está no próprio Ser enquanto manifestada e refletida na perfeição da sua criação que provém do Criador Perfeito: «Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom.» (Gênesis 1, 31)
2. Todos os seres realizam e vivem o Bem da mesma maneira?
R: Não, a forma como os seres vivem e realizam essa bondade difere inteiramente conforme a natureza de cada um, dividindo-se entre a ordem dos racionais e irracionais: «Há corpos celestes e há também corpos terrestres; mas o brilho dos corpos celestes é um, e o dos corpos terrestres é outro. Um é o brilho do sol, outro o da lua, e outro o das estrelas; e até entre estrela e estrela há diferença de brilho.» (1 Coríntios 15, 40-41)
3. Como os seres irracionais (os animais e as plantas) participam do Bem?
R: O ser irracional é limitado ao bem compatível com a sua vida sensível. Nele, o bem consiste em alcançar o fim natural de sua existência, como a sobrevivência, a procriação e a função específica que desempenha para o equilíbrio da natureza. Há, por exemplo, um bem natural (ontológico) na abelha quando ela poliniza as flores, multiplica sua colmeia, na feitura do mel e defesa da sua espécie, cumprindo perfeitamente os deveres que as leis naturais lhe impuseram: «Olhai as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celeste as alimenta.» (Mateus 6, 26)
4. De que maneira o Bem se manifesta especificamente no Ser humano?
R: No ser humano o Bem eleva-se da ordem puramente natural para a ordem moral e espiritual. O ser racional não é neutro: ele é chamado a aperfeiçoar a sua bondade nativa nele por meio de escolhas de consciência e livre adesão à fraternidade universal. Nele, o Bem brilha plenamente à medida que adquire a consciência da realidade que transcende a matéria limitada e temporal, renunciando às coisas que visam enfraquecê-lo pelo esforço de uma luta que busca tão somente à satisfação física e efêmera: «Não vos enfeiteis com coisas exteriores [...] mas seja o vosso adorno o homem oculto do coração, na pureza incorruptível de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus.» (1 Pedro 3, 3-4)
5. O que determina a perfeição de um Ser?
R: Todo ser é perfeito à medida que cumpre a destinação de sua própria existência. Enquanto nos animais essa perfeição se esgota e se realiza plenamente no âmbito natural, no ser humano a perfeição exige uma busca incessante por uma realidade que está além do tempo, da matéria e das limitações corporais. Essa realidade Suprema, que é a origem de todo ser e a fonte de toda perfeição, chama-se Deus: «Sede perfeitos como é o vosso Pai celeste.» (Mateus 5, 48) «Criastes-nos para Vós, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em Vós.» (Salmo 73, 25-26 / cf. Confissões de Santo Agostinho)
6. O Bem humano pode sofrer alterações ao longo da vida?
Resposta: Sim. Na nossa caminhada terrena, o ato de bondade pode progredir ou reduzir conforme o uso do nosso livre-arbítrio. O Bem funciona como o caminho e a escolha que conduzem o ser humano à sua plenitude, traduzindo-se no dever de ser fraterno e justo: «Coloquei diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência.» (Deuteronômio 30, 19)
7. O Bem é apenas uma ideia abstrata da nossa mente?
Resposta: O Bem não é uma abstração flutuante ou ideia vazia, mas uma realidade em ato que se realiza concretamente na natureza humana através das virtudes que colhemos por meio da consciência da alma. Ao buscarmos a perfeição ainda que dentro das nossas limitações, descobrimos que nos aproximamos d’Aquele que é a Perfeição em Si mesma e o Ser por excelência: Deus, o Sumo Bem: «Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.» (Filipenses 4, 8)”