
Os Sacramentos não são fórmulas mágicas que rivalizam com o Redentor; são os meios que Ele próprio escolheu para que Sua Humanidade, unida à Sua Divindade, pudesse nos tocar e santificar. Nos Sacramentos, encontramos o Cristo Encarnado: “Este é Aquele que veio por meio da água e do sangue, Jesus Cristo; não somente com água, mas com a água e com o sangue” (1 João 5, 6).
1. Cristo é a Causa Principal; os Sacramentos são os Seus Instrumentos: Deus quis salvar o ser humano por um princípio de comunhão profunda: assumindo a nossa natureza para que a Sua Humanidade Santíssima fosse a ponte para a nossa humanidade ferida. Todas as graças e méritos da Redenção brotam do sacrifício da Cruz e nos chegam pelo Corpo Místico do Senhor. Jesus é a causa eficiente e principal de toda a ação divina que nos salva, enquanto os Sacramentos são os instrumentos visíveis através dos quais Ele decidiu partilhar essa vida divina com os enfermos do pecado: “Pois Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Colossenses 2, 9) “Os Sacramentos são ‘forças que saem’ do Corpo de Cristo, sempre vivo e vivificante, ações do Espírito Santo atuante no seu Corpo, que é a Igreja.” (Catecismo da Igreja Católica, § 1116)
2. A Comunhão da Nossa Humanidade com a de Cristo: A necessidade dos Sacramentos para a salvação transparece no próprio mandato divino: “Aquele que crer e for batizado será salvo” (São Marcos 16, 16). A Escritura atesta essa união vital na carne e no Espírito: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na Sua morte?” (Romanos 6, 3) “Eu sou o Pão Vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente; e o pão que Eu hei de dar É A MINHA CARNE PARA A SALVAÇÃO do mundo.” (São João 6, 51)
Recebemos a vida divina exclusivamente por meio da Humanidade de Jesus. Ao se fazer carne, Ele se uniu a nós e, pela força de Sua Ressurreição e da Comunhão dos Santos, torna-nos membros vivos de um mesmo Corpo. Quando a Igreja administra um Sacramento, é a própria Humanidade gloriosa de Cristo que, pela fé e ação do Espírito Santo, interage conosco através dos sinais materiais que Ele dignificou como canais de salvação. “A causa humana e instrumental da nossa salvação é a humanidade de Cristo (...) por isso, a virtude salvífica da Divindade atua através das ações e dos sinais da Sua carne.” (São Tomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 62, a. 5)
3. O Todo na Fração: A Presença Íntegra do Redentor: Nos sinais sagrados, cumpre-se a revelação do Cristo Total (Totus Christus). Onde está o sinal sacramental instituído, ali está o próprio Cristo por inteiro. Na menor gota da água do Batismo ou na menor fração da Hóstia Consagrada, está vivo e presente o Cordeiro de Deus em Sua totalidade divina e humana: “O que era visível na vida de nosso Redentor passou para os seus Sacramentos.” (São Leão Magno, Sermão 74, 2) Portanto, não buscamos a salvação no elemento material por si só — na água, no pão ou no óleo —, mas no Cristo Onipresente em sua Humanidade e Divindade que age através deles.