Nossa Comunhão com Cristo Nos é Dada Apenas Espiritualmente?



É frequente a ilusão de que relação com Deus deve ser uma experiência apenas e puramente espiritual, abstrata e invisível. No entanto, se a nossa comunhão com Cristo fosse exclusivamente espiritual, a própria Encarnação teria sido desnecessária. Jesus não é o Espírito Divino desencarnado; Ele é o Verbo feito carne, plenamente Deus e plenamente homem. 

O Ponto de Encontro Único: Em Cristo, a distância entre a Terra e o Céu foi definitivamente abolida no encontro entre a Divindade e a humanidade; a morte e a Vida. Nele o tempo encontra a eternidade e a incompletude encontra a perfeição: o Criador uniu-se à criação e o que era manchado purificou-se naquele que não viu mácula:

“Esse plano é unir, no tempo certo, debaixo da autoridade de Cristo, tudo o que existe no CÉU e na TERRA. Todas as coisas são feitas de acordo com o plano e com a decisão de Deus, (1 Efésios 10)” 

A Dupla Natureza do Mediador: Por possuir em Si tanto a natureza Divina quanto a humana, Jesus é o único capaz de unir os dois extremos, tornando-se a ponte viva entre Deus e a humanidade:

“Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, CRISTO JESUS, HOMEM (1 Tm 2,5)”

Como a salvação nos foi dada por um Deus que assumiu carne e sangue reais, a nossa união com Ele não pode ser parcial ou meramente subjetiva. Uma salvação efetuada na carne exige uma comunhão estabelecida também na carne. É exatamente por essa razão que a comunhão com o Senhor se realiza no mundo visível por meio dos Sacramentos. Eles são os sinais sensíveis deixados por Sua humanidade para que o ser humano inteiro — alma e corpo — possa tocar e ser tocado pela Graça. Nos Sacramentos, a dimensão invisível da Salvação reveste-se da matéria que podemos ver, ouvir e saborear. Não buscamos comunhão com uma divindade abstrata e distante, nem nos reduzimos a um sentimentalismo invisível: unimo-nos, de corpo e alma, Àquele que é para sempre a humanidade divinizada e a Divindade humanizada