REVELAR O INVISÍVEL NO VISÍVEL: CRISTO, IMAGEM PERFEITO DE DEUS

Como fazer imagens de Deus se Ele é invisível? Por muito tempo, a ideia de representar o Criador parecia contraditória à sua natureza invisível. De fato, antes de Cristo fazer-se visível assumindo nossa natureza humana, Deus não tinha corpo, forma ou aparência que pudéssemos retratar. Era puro Espírito, invisível e inatingível aos olhos humanos. Mas a história mudou radicalmente com a vinda de Jesus. Deus se revelou a nós na carne: nascendo, vivendo, morrendo, ressuscitando e realizando milagres extraordinários. Essa manifestação visível tornou possível retratá-lo de uma maneira nova e revolucionária1. Agora, podemos representá-lo: a) nos atos que praticou, como a cura dos enfermos, a pregação do Reino, os gestos de amor e de serviço; b) nos acontecimentos dos quais participou, como o Batismo, a última Ceia, a Crucifixão e a Ressurreição; c) nas realidades extranaturais que inaugurou: a Eucaristia e a Igreja, por exemplo. Em Cristo, somos convidados a contemplar visualmente a própria FACE HUMANA DE DEUS: "ELE É A IMAGEM DO DEUS INVISÍVEL, O PRIMOGÊNITO DE TODA CRIAÇÃO." (Cl 1: 15) Essa revelação é tão impactante que  Paulo questiona a cegueira daqueles que não a veem: "Ó INSENSATOS! QUEM VOS FASCINOU, CUJOS OLHOS FOI APRESENTADA A IMAGEM DE JESUS CRUCIFICADO?" (Gálatas 3, 1), tendo com clareza dito Jesus: "QUEM VÊ A MIM, VÊ AO PAI." (João 14, 9) 

Santas Imagens: Espelho da Encarnação:

As imagens têm um papel fundamental: elas representam Cristo encarnado. É crucial entender que elas não buscam retratar o Deus invisível e incompreensível em Sua essência divina e transcendente. Isso seria, de fato, impossível e ilógico. No entanto, podem e devem retratar o que Deus É, e o que Deus se fez em carne, o Deus visível na manifestação humana do Filho. A encarnação de Jesus inaugurou um novo modo de nos relacionarmos com as representações do sagrado2. Em Cristo, Deus nos apresentou a sua face humana. Imagens que retratam Deus em Cristo, são, portanto, um convite à oração, à memória e à contemplação da nossa salvação que na humanidade visível de Deus nos foi consumada. 


1  S. João 1, 1-14.

2 Concílio de Niceia II (787 d.C.)