
O que nos define não são as palavras que dizemos, mas as atitudes que praticamos. A fé não é apenas uma ideia abstrata, mas uma força viva que se mostra em ações concretas.[1]
Para Deus e para as pessoas ao nosso redor, somos o que fazemos, e o nosso caráter se revela naquilo que escolhemos amar e colocar em prática. Como diz a Escritura: “Pelas suas ações se conhece se a conduta do jovem será pura e reta” (Provérbios 20,11). A fé precisa produzir frutos visíveis. Uma crença sem solidariedade, que não busca a união entre as pessoas e a defesa da vida humana, é uma ideia vazia e sem vida, incapaz de nos preparar para a vida eterna, pois “a fé, se não for acompanhada de obras, está morta em si mesma” (Tiago 2,17). Ela só ganha vida de verdade quando se transforma em justiça social, compaixão e bondade para com o próximo. Sendo assim, não basta apenas acreditar em Deus. É preciso agir de acordo com a vontade Dele, que nos orienta a viver um amor prático, real, sem preconceitos e partilhado com a comunidade.[2] O amor fraterno é a verdadeira prova de uma fé sincera. Procurar desculpas para não amar, fugir de ajudar o outro, rejeitar a generosidade e sentir um desgosto profundo em fazer o bem é uma doença da alma chamada preguiça espiritual, ou acídia.[3] É o desânimo profundo que causa no espírito um abatimento tão grande que a pessoa perde a vontade de agir; assim como as coisas ácidas são frias, essa preguiça traz um certo desgosto em praticar o bem.[4]
Negar-se de propósito a ser solidário, achando que basta apenas crer com a mente, ofende a vontade de Deus tanto quanto fazer o mal. Essa omissão vai contra a nossa própria natureza humana, pois fomos criados por Deus para viver em união e partilha: “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1 João 4,8). Ficar parado sem fazer o bem nos afasta de Deus, que é puro amor, e nos torna ingratos por tudo de bom que Ele nos deu, pois “aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4,17). Encontramos verdadeira alegria e paz quando fazemos coisas boas e ajudamos o próximo; mas, para sentir essa alegria, é preciso agir.