
A vida espiritual não se opõe à natural; antes, a supõe e a eleva. Em Sua pedagogia divina, Deus utilizou o próprio desenvolvimento biológico do ser humano como espelho das realidades invisíveis da alma.
Da mesma forma que necessitamos do nascimento físico para ingressar no mundo material, a alma exige um nascimento espiritual para pertencer à família do Pai Celestial: é nas águas do Batismo que o ser humano é sepultado com Cristo para renascer como nova criatura (“Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus”, Jo 3, 5).
Contudo, quem nasce necessita crescer para atingir a plenitude da razão e da vida. A Crisma surge, então, como o sacramento da confirmação e da maturidade espiritual, no qual o sinal do óleo sagrado derramado sobre a cabeça sela o crescimento da alma em perfeita consonância com o desenvolvimento do corpo. O óleo representa a força e a gordura substancial da matéria, o vigor concentrado que revestia os antigos profetas e reis para uma missão divina: “Tirará toda a sua gordura, como se tira a gordura do sacrifício de comunhão...” (Levítico 4, 31) Na Nova Aliança, esse símbolo cede lugar a uma realidade infinitamente superior: ele é a própria substância da carne incorruptível do Cordeiro de Deus, sacrificada na Cruz e glorificada na Ressurreição. Ao ser marcado na fronte — sede do juízo, da razão e da consciência — com este bálsamo régio, o fiel recebe o sinal da humanidade do próprio Cristo em Sua Carne Crucificada, sendo revestido com o vigor do Espírito Santo para alcançar a estatura da maturidade na fé: “Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso, o teu Deus te ungiu com óleo de alegria...” (Salmo 44, 8; Hebreus 1, 9). “E a unção que vós recebestes Dele fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a Sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, permanecei Nele” (1 João 2, 27)
Assim como nenhum organismo vivo subsiste sem nutrição, a vida espiritual exige sustento contínuo. Se o corpo perece sem o pão terrestre, a alma desfalece sem a Eucaristia, o Pão Vivo Descido do Céu no qual o próprio Cristo Se entrega para manter vivos aqueles que renasceram e cresceram (“Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”, Jo 6, 53).
Todavia, ao longo da caminhada, acumulamos imperfeições. Do mesmo modo que a higiene corporal é indispensável para remover a sujeira física, a alma necessita de constante purificação. Na Confissão e Penitência, despejamos diante do Redentor as nossas falhas e recebemos a pureza restaurada pela absolvição divina (“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar”, 1 Jo 1, 9).
Quando a fragilidade humana culmina na enfermidade grave, a mera higiene é insuficiente e o organismo exige a medicação apropriada. Na doença e no sofrimento, a Unção dos Enfermos atua como o remédio confortador que traz a cura da alma, aliviando as dores do corpo e perdoando os pecados pela oração da Igreja (“Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da Igreja, e estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo”, Tg 5, 14).
Essa correspondência estende-se também à dimensão relacional. No âmbito natural, a inclinação do homem para a mulher gera a união de corpos e frutos de novas vidas; logo, o Matrimônio eleva essa união biológica dos corpos a um sinal sagrado da aliança indissolúvel de corpo e alma (“Os dois serão uma só carne. Grande é este mistério”, Ef 5, 31-32).
Finalmente, assim como qualquer sociedade necessita de organização, o Sacramento da Ordem estabelece os pastores que, agindo na pessoa de Cristo (in persona Christi), são incumbidos de conduzir o rebanho pela via da Cruz, administrando os sinais sagrados dos Sacramentos — que são os mistérios do Reino Celestial — para a salvação de todos. E assim, no mesmo Óleo do Cordeiro Sacrificado na Cruz, Ele “(…) a uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, (Efésios 4, 11)