O ALTAR VAZIO NA INUTILIDADE DOS NOSSOS MÉRITOS.

A verdadeira adoração é a entrega mais sublime devida unicamente a Deus e ultrapassa tudo o que a capacidade humana pode oferecer por si mesma. Meros gestos externos (cantar, dançar), atos sentimentais (buscar a emoção, forçar a lágrima achando nisso a adoração) ou esforços pessoais próprios (oferta de dinheiro ou serviços) não possuem mérito para nos conciliar com Deus nem para restaurar o Amor Divino rejeitado. A essência do sacrifício aceitável revela-se no contraste entre Caim e Abel. Caim colocou no fruto do seu próprio trabalho a base de sua oferta, caindo na egolatria de pretender agradar a Deus fundado nos próprios méritos e esforços, motivo pelo qual sua oferenda foi rejeitada (“OFERECEU CAIM OS FRUTOS DA TERRA EM OBLAÇÃO AO SENHOR; MAS O SENHOR NÃO OLHOU PARA SUA OFERTA, NEM PARA OS SEUS DONS”, Gn 4,3-5). Em contrapartida, a adoração de Abel foi eminentemente cristocêntrica, pois ele ofereceu o cordeiro primogênito e belo do seu rebanho, prefigurando o próprio Cristo. Na oferta de Abel, os méritos não residiam em suas ações, mas na pureza e inocência do cordeiro, trazendo em si os sinais do sacrifício que se repetiriam na Cruz: a lágrima, a dor, o sangue, a morte e a Vítima perfeita que não foge do seu altar. A adoração só se realiza quando participamos de maneira real do único sacrifício de Jesus Cristo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que se fez humano para nos elevar a Deus. A EGOLATRIA (uma forma de idolatria) é a perversão desse mistério, ocorrendo quando se busca obter a salvação oferecendo méritos próprios. Essa desordem atinge seu ponto mais grave quando se molda um falso "cristo" na mente — um ídolo invisível esculpido na heresia, na ignorância e no afastamento da fé firmada sobre Pedro e os Apóstolos. No altar da Santa Missa, o MÉRITO PASCOAL DO CRISTO CRUCIFICADO SE RENOVA: o Pão e o Vinho tornam-se, respectivamente, o Corpo e o Sangue do Cordeiro de Deus oferecido em comunhão com nossas vidas (Rm 12,1; 1Co 10,16-18). É por meio da Igreja e do Corpo de Cristo adorado na Eucaristia que realizamos a adoração real, em espírito e em verdade, tornando a idolatria inteiramente superada (“PORTANTO, CARÍSSIMOS MEUS, FUGI DA IDOLATRIA”, 1 Cor 10,14).